Embora a vida possa proporcionar situações que levam a tensões de grande porte, percebemos que é comum encontrar na base do estresse, alem de um evento externo precipitador, alguma característica da própria pessoa. Valores muito rígidos, culpas indevidas, percepções enviesadas por experiências passadas, competição, incertezas, pressa, perfeccionismo, mágoas antigas e expectativas exageradas para si e para os outros estão entre as causas mais comuns do stress e da ansiedade. Essas características pessoais são ainda mais poderosas como fontes de estresse quando a pessoa possui também vulnerabilidade física ou psicológica para se estressar.
Há muitas coisas que podemos fazer para ajudar a diminuir a ansiedade.
Organizando as atividades
Organizar as nossas atividades é uma forma de diminuir a ansiedade. Por exemplo, se começo o dia ansioso(a) por causa do receio de me atrasar, é melhor programar o despertador para despertar quinze minutos mais cedo. “Quinze minutos de sono a menos não vão me deixar tão fatigado assim durante o dia. Poderei assim organizar melhor as coisas de manhã, antes de sair de casa e evitar a ansiedade de pensar que vou perder o ônibus que me permite chegar no trabalho a tempo, ou que vou me atrasar devido a um engarrafamento de trânsito.”
Relaxando no trânsito
Em um engarrafamento, procure ouvir música no rádio e relaxar, já que você não poderá mesmo passar por cima dos outros carros, e buzinar, irritar-se ou brigar com os outros motoristas não vai resolver o seu problema.
Evitando deixar para depois
Procure organizar seus estudos ou seu trabalho de maneira a não deixar tudo para a última hora. Muitas vezes passamos vários dias adiando a execução de uma tarefa, preocupando-nos com ela, e nos afobamos quando falta pouco tempo para o prazo de entrega. Procure “atacar” esse tipo de atividade logo, para poder relaxar depois; deixá-la pendente tirará até o prazer dos momentos em que você não estará se dedicando a ela, pois não conseguirá se descontrair e se divertir porque estará preocupado com isso. Por exemplo, você tem um trabalho escolar ou uma tarefa a ser entregue na segunda-feira, que considera difícil ou desagradável e quer primeiro curtir o fim de semana. Você nem consegue se sentir totalmente descontraído nas diversões de sábado e domingo porque lá no fundo há aquela preocupação. E então na noite de domingo vem a ansiedade ou até a depressão, e a afobação pelo pouco tempo que resta. Não teria sido melhor ter trabalhado nesse compromisso talvez no sábado à tarde, para ter o restante do fim de semana realmente descansado e prazeroso?
Ter mais leveza
Também não podemos ser ingênuos e pensar que não há situações na vida que são realmente graves. Mas se conseguirmos passar por elas com menos ansiedade, poderemos encaminhá-las de forma mais adequada, mesmo sendo situações de doença, perdas sérias e até mesmo a morte.
Ser resiliente
Se você viu o filme Patch Adams — o amor é contagioso, uma biografia baseada em fatos reais, deve lembrar que um médico afetuoso e com excelente senso de humor conseguiu fazer um paciente terminal agressivo e mal-humorado enfrentar a morte e despedir-se da família com aceitação e tranqüilidade, apesar de todo o sofrimento envolvido.
Buscar a sabedoria
Neste sentido, há uma oração conhecida, que contém muita sabedoria: “Meu Deus, dai-me força para mudar as coisas que posso mudar, paciência para tolerar aquelas que não posso mudar e sabedoria para distinguir entre os dois tipos de situação”.
Se seguirmos esse princípio, poderemos melhorar muito nossa qualidade de vida. Se você acha que não consegue seguir esses princípios sozinho(a), procure a ajuda de um profissional. Um psicólogo ou profissional de área afim poderá ajudá-lo a pôr em prática certas medidas que vão diminuir sua ansiedade.

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Sobre a autora:

Lane Lucena, psicanalista clínica, pós-graduada em comportamento organizacional e gestão de pessoas. Pós-graduanda em TEA – Transtorno do Espectro Autista. Especializações em psicopedagogia clínica e psicologia e saúde mental. Idealizadora do Viva Sua Essência e do Psiqueanalise.com. Pesquisadora da Escrita como recurso terapêutico e Facilitadora de Práticas de Atenção Plena. Criadora da Metodologia “Flor&Ser – florescendo a escrita expressiva” – um recurso que utiliza a escrita terapêutica.