Nas últimas duas décadas o número de pessoas que procuram lojas de suplementos alimentares em busca de colágeno em cápsulas ou em pó aumentou astronomicamente. Mas nem tudo é tão simples quanto ir à uma loja e iniciar um tratamento por conta própria.

O colágeno é uma proteína fundamental para a constituição da matriz extracelular, que é responsável por unir as células dos animais. Conforme envelhecemos, a produção de colágeno, que ocorre intracelularmente, tende a declinar e, em muitos casos, a ingestão de um suplemento em pó ou em cápsulas é indicado por médicos para suprir essa diminuição da produção natural.

Há quem se arrisque a iniciar um tratamento de forma autônoma (leia-se automedicação), e mesmo que os efeitos secundários (como reações alérgicas ou até mesmo hipercalcimia) costumem ser mínimos, é importante ter alguns informações à mão antes de correr para alguma loja ou farmácia em busca do pó ou das cápsulas. Portanto, listamos abaixo três coisas que consideramos fundamentais para aquelas pessoas que desejam iniciar a ingestão de colágeno ou estão em início de tratamento, especialmente as que não o estão fazendo com acompanhamento médico.

 

Existem vários tipos de colágenos

Quando falamos de colágeno costumamos imaginar um pó amorfo e mágico que vai ser responsável por acabar com nossos problemas nas articulações, manter a pele e cabelos jovens e saudáveis. Mas na verdade existem pelo menos vinte tipos diferentes disponíveis no mercado. Eles se diferem pela origem (se são extraídos de bovinos, frangos ou peixes, e de que parte desses animais, por exemplo), tipos de aminoácidos presentes em sua composição e formas de atuação.

O colágeno tipo-I hidrolisado, por exemplo, é o mais fácil de achar e por consequência o mais consumido: normalmente é o que está disponível em pó nas lojas e farmácias, e que utilizamos em sucos, chás e café. O fato de ser hidrolisado implica que as cadeias de aminoácidos presentes em sua composição foram quebradas em partes menores para facilitar o processo de dissolução na hora de consumir (ele pode ser dissolvido com facilidade até mesmo em líquidos frios).

 

Existe o risco de contaminação

Por ser extraído de ossos e couro de animais, o colágeno pode conter uma quantidade perigosa de metais pesados, como o chumbo. Isso porquê essas partes costumam concentrar esse tipo de substância. Embora não haja casos severos relatos, é importante tomar alguns cuidados: médicos sugerem que o consumo não seja exagerado e que se busque marcas tradicionais que indiquem que testes tenham sido realizados para detectar a presença desses metais.

 

As pesquisas mostram mais benefícios para as articulações

Embora várias pessoas estejam procurando colágeno por conta de supostos benefícios para a pele, não existe nenhuma evidência de sua eficácia nesse caso. Por outro lado, a maioria das pesquisas realizadas até agora, apontam um grande número de benefícios para doenças realacionadas aos ossos e articulações.

Nos anos 1990, por exemplo, vários estudos nos EUA mostraram que o consumo de certos tipos de colágeno estava ligado a uma redução drástica dos sintomas de osteoartrite e artrite reumatoide. Recentemente, especialistas envolvidos uma pesquisa¹ realizada através de uma parceria entre várias universidades e laboratórios dos EUA e Canadá, prescreveram uma dose diária de 40 mg de colágeno tipo-II (UC-II) para pacientes em tratamento para osteoartrite no joelho, e os resultados foram animadores: 80% das pessoas disseram sentir menos dor, e a intensidade da dor diminuiu em 26%.

 

Embora seja cedo para tratar a suplementação de colágeno como solução para todos os problemas articulares e ósseos, os relatos de pessoas em tratamento são extremamente positivos e animadores. Mas lembramos, como sempre, da importância de consultar o seu médico antes de tomar qualquer decisão de automedicar-se.

 

¹Para acessar a pesquisa citada (em inglês), clique AQUI.

 

Fonte da imagem: Pixabay.