Os alimentos afetam o corpo de maneiras diferentes dependendo da pessoa, visto que cada um de nós tem um metabolismo diferente. O açúcar porém, afeta quase todo mundo da mesma maneira. A única coisa que ele faz é engordar. O açúcar é composto por duas moléculas: glicose e frutose. A glicose é vital para a nossa vida e faz parte do nosso metabolismo e é produzida pelo nosso corpo, estando estocada e presente na corrente sanguínea. Todas as células do nosso corpo utilizam a glicose como fonte de energia. Se nós não consumimos glicose, nosso corpo produz a quantidade necessária através de proteínas e gorduras. A frutose porém, é diferente. Essa molécula não é natural do nosso metabolismo e não é produzida pelo nosso corpo. Quando consumimos muito açúcar, a maioria da frutose é metabolizada pelo fígado. Lá ela se torna gordura e é despejada para a nossa corrente sanguínea.

A frutose causa resistência à insulina

A insulina é um dos hormônios chaves para regular o nosso metabolismo e o consumo de energia. Ela é secretada pelo pâncreas, viaja pelo corpo através do sangue para célula periféricas, como as musculares. A insulina manda sinais para essas células avisando que elas devem colocar a glicose na superfície,  assim a glicose consegue chegar até as células que a utilizarão. Quando comemos um alimento rico em carboidratos, os níveis de glicose sobem. O excesso dela é ruim para o nosso corpo, então a insulina aumenta rapidamente para tirar o excesso de glicose do nosso sangue. Se nós não tivessemos insulina ou se ela não funcionasse direito, a glicose no nosso sangue atingiria níveis tóxicos.

Em pessoas saudáveis, o mecanismo da insulina funciona direitinho e é o que nos permite comer alimentos ricos em carboidratos, sem precisar se preocupar com os níveis de glicose do sangue subirem. Porém, esse mecanismo tende a parar de funcionar. As células se tornam resistentes aos efeitos da insulina, o que obriga o pâncreas a secretar mais insulina. Basicamente o que ocorre quando você se torna resistente a insulina, é que você terá mais insulina no seu sangue o tempo todo (até que toda ela se quebre e leve você a desenvolver diabetes tipo 2). Mas a insulina possui mais funções. Uma delas é mandar sinais para as nossas células de gordura. A insulina diz para essas células pegarem gordura da corrente sanguínea, guardar isso e evitar queimar a gordura que elas já estão armazenando. Quando os níveis de insulina estão cronicamente elevados, a maioria da energia presente no sangue acaba sendo seletivamente depositada nas nossas células gordurosas e fica ali, guardada. O consumo excessivo de frutose é uma causa conhecida de resistência à insulina. Quando isso acontece, nosso corpo não consegue ter acesso direto aos estoques de gordura e aí o cérebro pensa que estamos com fome, o que nos leva a comer mais.

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A frutose causa resistência ao hormônio leptina

A frutose nos leva a ganhar peso por conta dos seus efeitos em um hormônio chamado leptina. A leptina é secretada pelas células gordurosas. Quanto mais grande essas células forem, mais leptina elas soltam. Esse é o sinal que o seu cérebro usa para determinar a quantidade de gordura estocada no seu corpo. Quando nos alimentamos, um pouco dos alimentos é estocado nas nossas células de gordura. Isso faz com que elas aumentem de tamanho e soltem mais leptina. Quando o nosso cérebro percebe esse aumento de leptina, ele percebe que o nosso corpo possui gordura o suficiente estocada e que não precisamos comer. Esse mecanismo natural foi desenvolvido para que a gente não sinta fome e coma menos, já que possuímos gorduras suficientes nas nossas células gordurosas, que são supostamente as responsáveis por nos prevenir da obesidade.

Mais gordura = mais leptina = temos energia o suficiente = não precisamos comer. Simples assim.

O aumento de leptina também faz com que soltamos mais gorduras dos nossos estoques e que nosso metabolismo acelere. É assim que deve acontecer, mas se o nosso cérebro começa a ficar resistente a leptina (não vê ela no nosso sangue) então esse processo regulatório para de funcionar. Se ele não vê a leptina, ele não irá saber que nossas células de gordura estão cheias e não irá haver nenhum dinal que diga para o nosso cérebro parar de comer.

Bixa leptina = não tem energia o suficiente estocada = preciso comer mais e queimar menos gordura.

É assim que a resistência à leptina nos faz ganhar peso. O cérebro pensa que o nosso corpo está passando fome e faz com que consumamos mais alimentos e queimamos menos gordura. É por isso que o “coma menos, se mova mais” simplesmente não funciona para muitas pessoas. Para comer menos, temos que deixar de ser resistentes à leptina, para que nosso corpo veja o que está estocado. Uma dieta rica em frutose pode causar resistência à leptina. Um dos mecanismos é que a frutose aumenta os níveis de triglicerídeos no sangue, que bloqueiam o transporte de leptina do sangue para o cérebro. E é assim que o açúcar faz com que o cérebro perca o controle de quando comer.

Semana que vem traremos mais alguns tópicos sobre como  o consumo de açúcar te leva a engordar. Fique ligado.

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