Num só mês, muitas mudanças ocorreram em nossa estratégia inicial de obras, da equipe e na locação da casa.

Estar presente fez, faz e fará a diferença em todo grande começo, isso não se deve delegar!!!

A terraplenagem começou e tudo foi aparecendo, literalmente!

A sensação do primeiro passo foi de estarmos fazendo uma força “contrária” ao que já estava estabelecido e que só com muita serenidade as coisas iriam se adequar à nova forma, que começava a se transformar ao que ainda será…

É como se energia a estática começasse a ser movimentada, saindo da inércia do que não existia, e, que ia resistindo com rigidez a mudança! Isso mais parece uma aula de física, mas eu juro que senti esse fluxo de energias na pele, na terra do nosso pedacinho de sonho e na equipe em alguma medida.

Agora estamos olhando na mesma direção, em harmonia e aprumados.

A grande “sorte” é que movimentação de terra foi orientada no que sempre desejamos, porque eu estava presente, na hora certa, apontando e traduzindo o que nosso coração queria e sempre sonhou, sem termos seguido à risca o projeto escrito no papel.

Imaginem se eu não estivesse ali na hora certa? A casa seria edificada no lugar menos desejado para quem iria habitá-la!

Com muito RESPEITO, PACIÊNCIA e FOCO NA SOLUÇÃO enfrentamos os desafios iniciais que surgiram na terraplanagem, com a localização da casa num ponto diferente do que constava na planta. Isso foi uma grande surpresa para nós, mas aconteceu!

Sempre desejamos uma casa bem perto da floresta, mais ao fundo, afastada da rua e sem ladear o vizinho, porém, para movimentar menos terra, a casa estava justamente locada onde não desejávamos, perto da rua, ao lado do vizinho e longe da floresta.

Nós, leigas, não tínhamos percebido isso, até que a terraplenagem começou e o engenheiro que faz parte da comissão técnica de obras da Ecovila nos alertou da grande diferença entre o que estava no projeto e o que estava sendo feito.

Comentamos que a única modificação seria pequena, porque resolvemos transferir a Edícula do fundo para a frente do terreno, para termos uma vista plena do fundo, sem barreiras, além de deslocar a área de serviço para a edícula, para que uma saleta com vidro ganhasse espaço, para aproveitarmos a beleza da paisagem! Essas eram as poucas mudanças internas que achamos que estávamos fazendo, mas na verdade muita coisa “saiu do lugar”…

E pensar que durante o mês de março, enquanto esperávamos ansiosos pela liberação da prefeitura, recebi um alerta sábio, mas que não consegui compreende-lo totalmente! Um nobre participante da oficina de Bambu, que ocorreu aqui na Ecovila, ao ver meu projeto questionou e fez comentários a respeito de alguns pontos da planta sobre a locação da casa, a ausência de janelas grandes para deixar a paisagem “entrar” na casa, além de condenar a localização da edícula que tamparia a nossa visão para a mata…

A partir dessa confusão toda, a arquiteta atualizou a planta de locação da casa e da edícula no terreno, mantendo a área total e o desenho da casa.

O engenheiro estrutural foi informado dessa mudança e atualizou os cálculos, pois as curvas de nível do terreno eram diferentes. Com a movimentação de terras o bioconstrutor Ângelo Negri, achou por bem seguirmos à risca o que o engenheiro de cálculo sugeriu para o muro de arrimo, fundação e laje, sendo essa a única forma segura e mais conservadora para que ele pudesse dar continuidade a construção da casa em hiperdobe, pois precisaríamos fazer um preenchimento de terra maior do que originalmente, ou seja, um pequeno aterro! O bioconstrutor sugeriu e convidou o empreiteiro da equipe da arquiteta Gelissa, o Ângelo Telles, para executar o projeto estrutural da casa, por ser uma técnica que ele não dominava.

Fizemos algumas reuniões no terreno e no escritório da arquiteta para nos (re)alinharmos e  sabermos  exatamente  onde e de que forma a transição entre a construção convencional iria ocorre com a  bioconstrução, como se fosse uma troca de “bastão”!

Inicialmente fiquei mortificada com tantas mudanças que poderiam ser evitadas se a comunicação tivesse sido mais clara entre todos !! Isso sem falar nos aspectos financeiros e da necessidade do uso de mais concreto do que gostaríamos na casa.

Felizmente Martha, minha companheira de jornada estava ao meu lado, para enfrentarmos e digerirmos tantas mudanças num período tão curto!

Mexer com a terra abalou minha estrutura, mas serviu para me “aterrar” frente ao novo papel de líder da transformação do sonho para a realidade, com maior presença e personalidade!

Acredito que a mudança é sempre para algo maior e que no fundo a melhor versão da casa, da equipe e de mim, estão se consolidando à medida que ultrapassamos as barreiras que surgem no trajeto e seguimos!

Frente a tantas mudanças técnicas de projeto e nos rumos da construção, o bioconstrutor preferiu suspender o contrato que tínhamos firmado. Desta forma, senti que ele se liberou do acordo, ficando mais leve, além de fazer questão de nos deixar a vontade para escolher o que fosse melhor para a continuidade da bioconstrução do nosso Lar Doce Lar, ouvindo ou contratando outros profissionais da área! Confesso que fiquei baqueada, mas aos poucos percebi que talvez essa tenha sido uma decisão sensata e boa para todos!  Somos muito gratas a ele por toda a consultoria inicial prestada ao nosso projeto até esse mês!

Diante do dilema em que me encontrava, comecei a trocar ideias com algumas pessoas da área de construção, algumas que conheci ou participaram de vivências, cursos e simpósios de bioconstrução.

Surgiu em meu caminho um ANJO, Dilênia Lara, uma Engenheira civil que trabalha com Hiperadobe e outras técnicas em Cuiabá. Expliquei para ela os desafios que eu estava passando em nosso projeto estrutural. Dilênia me acolheu e tranquilizou com tanto carinho e paciência!

A mais incrível “coincidência” estava por vir, Dilênia tinha uma viagem programada para São Paulo e conseguiu vir aqui na Ecovila, nos visitar e ver em que ponto estávamos na fundação do muro de arrimo. Ela conversou com o empreiteiro Ângelo Telles, que estava coordenando a execução de todo o projeto estrutural, e, para nossa felicidade ela nos afirmou que poderíamos usar tranquilamente os sacos de hiperadobe para fazer o muro de arrimo e todo o resto da casa!  Falou-se de drenagem e da impermeabilização com boa ênfase…

Um dos talentos que temos em nossa equipe é o AGENOR, que trabalhou na Petrobrás fazendo muros de arrimo e alojamentos com superadobe (técnica que originou o hiperadobe), o que nos deu ainda mais confiança e segurança, quanto a forma de execução da obra, sendo o mais fiel a técnica bioconstrutiva escolhida desde sempre, hiperadobe!!  Quanto alívio no coração, UFA!

As técnicas de construção convencionais serão usadas sim, mas com muito bom senso e parcimônia! Sem extremismo…

Tivemos que continuar a fazer a fundação do arrimo com as ferragens e com o concreto usinado, pois os furos e vãos das estacas, já tinham sido abertos, mas a partir disso, a fundação para o resto da casa será feita com concreto ciclópico, de forma mais apropriada e coerente para a elevação das paredes de Hiperadobe, garantindo o sucesso na execução da construção do Lar doce Lar como desejávamos!

Hoje  temos a fundação dos  dois pavimentos bem delineadas, sendo preparada para os próximos passos.

Decidimos que vamos manter a equipe que está trabalhando na fundação do arrimo e que irá construir o resto da nossa casa, coordenada pelo Ângelo Telles, que está cada vez mais dedicado e aberto a tudo o que o hiperadobe tem a nos oferecer! BRAVO!

Agradeço a algumas pessoas da “família da bioconstrução” que me deram genuína atenção, me acolheram generosamente e iluminaram nosso caminho direta ou indiretamente!

Estou certa de que teremos a tutoria de profissionais especializados e que possam atender as demandas específicas da nossa bioconstrução!

GRATIDÃO!! Dilênia Lara (Espaço Gayananda), Lucas Lotufo Brant (Sítio Beira Serra), Eliézio Sousa, Flávio Duarte e Thiago Arroiz!

Como disse meu vizinho Edilson, “a bioconstrução verdadeira é uma autoconstrução”, quando o dono constrói a sua própria casa, porém, o que eu estava propondo era algo num formato que não existe e que é bem N-O-V-O…

Por isso aqui estou eu, P-R-E-S-E-N-T-E, cheia de disposição para acompanhar todo o processo (ou cria-lo) e pronta para botar a mão na massa na teoria do planejamento/estratégia ou na ação!

Não tem jeito, o caminho só se faz caminhando!!

Ânimo! Um passo após o outro…

 

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