No fim de janeiro, depois da reunião de alinhamento técnico com a arquiteta e o bioconstrutor, assinamosa planta com todo o projeto arquitetônico, juntamente com o memorial descritivo dos materiais deacabamento externo, cobertura da edificação e projetos de águas pluviais, que foram entregues para análise e aprovação do departamento de Urbanismo e Fiscalização da  Ecovila Clareando .

Tivemos uma reunião mais longa só com o Ângelo Negri, o bioconstrutor que fez sua própria casa e que também é morador da Ecovila. Analisamos sua proposta de trabalho, negociamos alguns pontos quanto ao legado social que buscamos deixar e estamos em vias de assinar nosso acordo! A previsão é de estar com as chaves da casa na mão em até um ano, a partir do início oficial da obra.

Grande parte do cronograma físico financeiro terá sua evolução orquestrado pelo Ângelo, que estará gerenciando e treinando os profissionais, além de me enviar a lista de material para cada etapa com as especificações para a compra dos materiais, facilitando a busca da melhor cotação e aquisição do material no tempo certo para uso.

Um ponto delicado que identifiquei e que me gerou um certo incômodo sobre a execução da obra foi:

Como conjugar o voluntariado com a equipe de profissionais da bioconstrução?

Sobre esse ponto, conversei com um morador que alugou uma casa na Ecovila, e, está construindo em seu lote a própria casa, com o apoio de voluntários que se alternam, sem pressa, mas desfrutando e aprendendo em cada etapa da construção!

O senso de urgência para a finalização da construção é outro, o ritmo de trabalho é mais flexível e espontâneo. Admirei imensamente a forma criativa e leve que ele escolheu para edificar sua casa! BRAVO!

Considerando nosso contexto de vida, junto com uma dose de “ necessidade urgente” para mudar para o Lar Doce Lar, além do fato de delegarmos a construção da casa para uma equipe profissional (mas sem perder a bioconstrução de vista), parece ser incompatível com a dinâmica do voluntariado.

Sinto que ainda me resta pensar a nossa forma ideal de compor essa equação, em harmonia com o que acreditamos, de forma que seja socialmente justo e financeiramente viável!

Uma ação tão tangível quanto ter a planta final do projeto arquitetônico na mão, foi a compra de algumas portas na loja de demolição da cidade, em companhia da arquiteta! Mesmo sem nada construído no terreno para armazenar esses itens, já temos algumas coisas definidas e guardadas para serem entregues na hora certa.

A etapa de aprovação do projeto no departamento da Ecovila foi vencida! Que alegria ter a confirmação de que no nosso projeto arquitetônico é harmonioso, está inserido na paisagem e busca gerar o menor impacto visual e ambiental possível.

Planta final

Planta final entregue para Dufic e para a Prefeitura de Piracaia.

Assim que o projeto foi aprovado e devolvido para a arquiteta Gelissa, ele foi entregue à secretaria de obras de Piracaia para aprovação! Espero que a nova gestão da prefeitura seja ágil nessa análise!

Um desafio que estou superando, é a desistência do engenheiro estrutural que iria fazer o projeto da casa… Enfrentei essa intempérie como “parte da jornada”, embora seja justo no momento em que corremos contra o relógio para lançar a pedra fundamental da construção.

Numa espécie de teste de ansiedade, paro e respiro fundo para identificar: PARA QUE isso está acontecendo?

O que ainda falta ser feito ou estar as claras para o grande início da obra?

Realmente falta bastante coisa…

Instalar o hidrômetro, instalar o poste de luz, fazer a sondagem (para o reconhecimento do solo para análise e melhor definição da fundação mais adequada, que servirá como base da edificação), receber o relatório da sondagem do terreno, ter o projeto estrutural pronto, além ter a lista de material para a essa etapa da fundação e a realização dos orçamentos!

Isso tudo até a aprovação do projeto na prefeitura para o que o início oficial das obras se dê rapidamente, a começar com a terraplanagem do terreno para a preparação do gabarito da fundação da casa, para a marcação e realização da base sólida que sustentará muita terra, energia de trabalho e o sonho de uma vida.

Parece que o tempo de maturação das coisas foge do que podemos prever ou controlar!

Agora conto os dias para minha chegada oficialmente na Ecovila, para cumprir a missão de acompanhar de pertinho todos esses passos e processos de construção tangível e intangível, no tempo que tiver que ser!

O coração está agitado porque ainda estou no Rio, mas com os olhos em Piracaia, pois as retiradas das amostras de solo ocorrerão na próxima semana sem a minha presença…

Tudo isso é tão novo que gera uma sensação meio louca, o misto de medo e satisfação!

Que alegria pensar que o meu texto seguinte, já será escrito diretamente de Piracaia, de muito perto do nosso futuro e bem mais próximo Lar Doce Lar.

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