As bactérias probióticas estão literalmente em todo lugar: elas habitam seu intestino e estão nos iogurtes bebidas fermentadas (lactobacilos). Além disso, podem ser encontradas em sachês e cápsulas, e pesquisas recentes apontam uma série de benefícios.

Após décadas de muitas perguntas, a Organização Mundial da Saúde realizou em outubro de 2001 um encontro de especialistas em Córdoba, Argentina, para colocar um ponto final na questão dos benefícios dos probióticos encontrados em derivados fermentados do leite. Foi a primeira vez em que uma organização de renome internacional tratou do assunto, e o resultado foi animador: além um guia¹ para avaliação dos probióticos encontrados em alimentos, a OMS deu um parecer favorável ao seu consumo quando realizado sem exageros.

Desde então o assunto tem sido abordado sem medo em grandes laboratórios e universidades de prestígio, bem como em consultórios médicos. De “pseudo-medicação”, os probióticos tornaram-se importantes coadjuvantes no tratamento de uma série de patologias, que vão desde problemas intestinais até como agentes de prevenção de doenças crônicas da pele. E não faltam pesquisas sobre o assunto: de 2001 até 2017 já são mais de mil publicações, entre artigos, teses e dissertações, a tratar sobre os benefícios e riscos do consumo das bactérias probióticas – e sobre os riscos, a opinião dos especialistas é unânime: caso o paciente não tenha nenhuma restrição aos alimentos probióticos, apenas se deve evitar um consumo diário excessivo.

 

Esperança no tratamento da depressão

Recentemente, uma equipe de pesquisadores da Universidade de Virgínia, EUA, liderados pelo Dr. Alban Gaultier, do Departamento de Neurociência e do Centro de Imunologia Cerebral e Glia, resolveram testar a possibilidade de haver uma ligação entre a depressão e a saúde intestinal. O estudo, publicado pela Scientific Reports², mostrou que ratos que apresentaram essa perda de lactobacilos intestinais, desenvolveram todos os sintomas característicos da depressão. Os pesquisadores decidiram, então, enriquecer a dieta dos roedores com alimentos ricos em Lactobacillus reuteri, encontrado na flora intestinal de vários animais vertebrados. O resultado: os sintomas de depressão foram suprimidos.

Para entender como isso foi possível, a equipe de pesquisadores continuou os testes e descobriu que o nível de lactobacilos na flora intestinal influencia diretamente o nível de quinurenina: quando há menos lactobacilos, há mais quinurenina (um metabólito que, de acordo com várias pesquisas, leva à depressão).

Embora não seja encontrada no iogurte e em bebidas fermentadas, a Lactobacillus reuteri é amplamente comercializada na forma de pós em sachês e cápsulas.

 

Aliados na luta contra a ansiedade

O intestino é uma rede de milhões de neurônios (sim, neurônios!), o que pode afetar diretamente o nosso comportamento. Quando infectado por bactérias nocivas, podemo desenvolver sintomas de ansiedade, por exemplo. Interessados em possíveis tratamentos probióticos para esse tipo de problema, uma equipe de especialistas da Universidade McMaster, do Canadá, tratou cobaias, previamente infectadas com um parasita associado à ansiedade, com a bactéria probiótica Bifidubacterium longum, e observou a completa reversão dos sintomas.

O estudo³ utilizou um grupo de controle com Síndrome do Intestino Irritável.

 

Mesmo com tantos benefícios comprovados, sempre indicamos consultar o seu médico antes de iniciar por conta própria qualquer tipo de tratamento.

 

Para acessar o artigo (em inglês), clique AQUI.

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Fonte da imagem: ponce_photography/Pixabay.

 

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