O número de casos de obesidade aumentou exponencialmente nas últimas três décadas, da mesma forma que a quantidade de queixas de pessoas com dificuldades para dormir. O conhecimento popular diz que devemos nos alimentar de forma adequada para dormir bem, mas o que pouca gente sabe, é que dormir mal ou bem pode afetar diretamente a forma como lidamos com a balança.

Um estudo¹ conduzido por pesquisadores da Universidade de Harvard, acompanhou um grupo de mais de 60 mil mulheres ao longo de 16 anos, rastreando todos os seus hábitos. No início, nenhuma era obesa e todas eram completamente saudáveis. Os resultados obtidos ao encerrar a pesquisa, quase duas décadas depois, assustaram: mulheres que dormiam no máximo 5 horas por noite, apresentavam 15% mais chances de tornarem-se obesas em relação àquelas que adotaram uma rotina de sete ou mais horas de sono.

Dormir bem, porém, não serve como “vacina” contra a obesidade; é apenas um de dezenas de fatores que influenciam o funcionamento de nossos corpos positiva ou negativamente. Mesmo assim, o sono é um dos pontos cruciais a serem observados por quem quer perder peso, e a influência que sofre da alimentação também prepocupa.

Por exemplo, pessoas com dietas ricas em açúcares e carboidratos simples, e que realizam refeições deste tipo pouco antes de ir para a cama, tendem a demorar mais para dormir e terem um sono de péssima qualidade. Em outro caso, quem ingere muita gordura não saudável (as saudáveis seriam as mono e poli insaturadas), costuma não conseguir regular de forma adequada quanto tempo dorme, tendo como efeito manhãs pouco produtivas devido à sensação de cansaço ao acordar.

Um dos problemas é que isso pode se tornar um ciclo vicioso: dormimos mal, acordamos com pouca disposição e passamos o dia sob efeito da exaustão, o que faz com que tomemos decisões ruins em relação à nossa alimentação para que não façamos muito esforço, como optar por fast food snacks de mercado ao invés de ir para cozinha e preparar uma refeição saudável ou ingerir frutas, por exemplo. Logo teremos outra noite de sono ruim, e repetiremos a dose no dia seguinte.

Quando dormimos mal, nosso organismo nos “exige” mais calorias, mas não consegue dar conta de queimar todas elas. Além disso, nos tornamos incapazes de aproveitar as sensações prazeirosas de comidas salgadas, doces ou ricas em gorduras, tornando nossa alimentação apenas o fardo de uma compulsão.

Mas é justamente a alimentação que pode ajudar a reverter todo esse quadro. Comer bem faz com que supramos todas necessidades nutricionais de nossos corpos, e um dos efeitos é justamente voltar a ter noites de sono tranquilas. Alguns nutrientes específicos, como o omega 3 e a vitamina D, nos ajudam a dormir melhor; outros, somo potássio e magnésio, facilitam o relaxamento muscular; e o cálcio é essencial para a produção da melatonina, essencial para o bom funcionamento do mecanismo do sono. Combinar tudo isso é a receita ideal para quem quer dormir bem.

Melhorar a qualidade da alimentação e, consequentemente, do sono, não exige grandes mudanças, apenas um período de adaptação. Incluir alimentos como cerejas (ricas em melatonina), amêndoas e pecans (fontes importantes de magnésio e cálcio), além de salmão e sardinhas (que possuem uma boa quantidade de vitamina D e, no primeiro caso, bastante omega 3), é mais simples do que parece. Coma bem para dormir bem.

 

¹Para consultar o artigo citado (em Inglês), clique AQUI.

 

Fonte da imagem: congerdesign/Pixabay.

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