*Por Leo Babauta.

Uma tarefa que parece sem fim para mim, e que renovo anualmente, é eliminar tudo aquilo que é desnecessário em minha vida. Talvez você esteja lendo isso e achando que eu estou acabando com tudo aquilo que é divertido em minha vida, mas não é bem assim. Deixe-me explicar.

A primeira grande pergunta, claro, é “o que necessário realmente significa?”. Precisamos analisar quais coisas consideramos “necessárias”, e “necessárias” para quê. Qual o verdadeiro objetivo delas? Minha resposta, que certamente será diferente para outras pessoas, é “necessário para um vida feliz”.

Essa definição abarca uma série de coisas relacionadas à comer bem, vestir-se bem, e ter onde morar, mas não é tão simples assim. Quer dizer, eu não preciso ter um bom relacionamento com minha esposa para viver, mas isso é necessário para o meu objetivo de ter uma vida feliz. O mesmo funciona com os meus filhos. Para ser feliz, preciso manter uma boa relação com a minha família, fazê-los felizes, e aproveitar meu tempo junto a eles.

Por outro lado, isso não quer dizer que tudo o que eu faço com eles é “necessário”. Por exemplo: posso ser feliz indo com meus filhos à um parque – eu não preciso comprar presentes o tempo todo ou levá-los sempre para o cinema ou parques aquáticos.

Da mesma forma, precisamos comer, mas não precisamos comer fast food. Ok., você pode dizer doces ou batatas fitas fazer você feliz, mas aqui está a chave para esse exercício funcionar: você realmente precisa de coisas para ser feliz? E mais ainda: você precisa delas diariamente ou apenas ocasionalmente?

Dois bons exemplos para mim são café e chocolate. Amo café e chocolate. Amo muito. Mas como sou dependente de cafeína, isso faz com que eu queira consumi-los mais do que eu preciso para ser feliz – e é por isso que estou tentando eliminá-los de meu consumo diário. Penso que um dia, quando eu conseguir fazer isso, vou poder adicioná-los à uma “lista” de coisas que me fazem feliz e que consigo consumir eventualmente sem que torne dependente delas.

Eis, por exemplo, uma lista de coisas que posso cortar (exceto eventualmente):

  • ir ao cinema (se bem que tenho feito isso raramente);
  • doces de padaria (embora também raros, uma tentação constante);
  • “brinquedos” (coisas que apenas de divertidas, como um mp3 player, são totalmente desnecessárias);
  • livros novos (estou tentando comprar usados, agora);
  • comer em restaurantes.

E coisas sobre as quais preciso refletir um pouco mais:

  • internet banda larga (uso no trabalho, e é legal ter em casa, mas não sei se é necessário);
  • celular (eu não PRECISO dele tanto assim – é conveniente, mas raramente necessito).

Já cortei um monte de coisas da minha vida, e venho aproveitando a simplicidade que encontrei até então. É o processo que me agrada, não o produto final.

 

Fonte da imagem: ulleo/Pixabay.

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