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Quando alguém te pergunta, como vai você? Você logo responde ‘tudo bem’! Mas por dentro está destruído, com raiva, medo, vergonha, culpa, tristeza, nervoso, …

Não há nada mais indigesto que engolir sentimentos.

Quantas vezes você engoliu tudo o que sentia? Lembra quando os pais diziam: ‘engole o choro!’ Então, a gente aprende que é legal engolir os sentimentos e passa uma vida inteira sem entrar em contato com eles. Nos tornamos analfabetos emocionais e ao invés de aprendermos a lidar com os sentimentos, aprendemos a reprimi-los.

A consequência disto é distanciarmos de nós mesmos, das nossas verdadeiras necessidades e desejos, e por isto nos sentimos tão carentes. Os sentimentos apontam para as nossas verdadeiras necessidades. Assim, reprimindo sentimentos nos sentimos carentes de necessidades que não conseguimos nem identificar com clareza. Então, vivemos a base de substitutos, por exemplo, substituímos a necessidade de ser amado por chocolates e doces ou pelo simples excesso de comida, de consumo, de bens materiais, de dinheiro, de amantes, de problemas de saúde, de drogas,  …

E o pior que estes excessos não conseguem suprir a verdadeira necessidade. Você tem necessidade de que? Você é carente de que?

Descanso, toque, alimentação, educação, diversão, ordem, paz, inspiração, harmonia, aceitação, confiança, autonomia, liberdade, compreensão, segurança, valorização, respeito,  …

Perceba que os excessos são péssimos substitutos pois não satisfazem suas verdadeiras necessidades.

Mas então o que fazer com a raiva? Explodir, sair batendo e matando por aí?

Bem, é preciso entender que não é o excesso de repressão nem o excesso de expressão dos seus sentimentos que irá ajudá-lo a satisfazer suas necessidades. Aliás, segundo Marshall Rosenberg, atrás de todo ato violento, crítica ou ‘explosão’ existe uma necessidade não atendida. E ao invés de simplesmente despejar nosso lixo emocional sobre o outro, o melhor é identificar e expressar qual necessidade que não está sendo atendida.

Comunique como você se sente e esclareça qual é a necessidade não atendida. Por exemplo, ‘eu estou com raiva pois tenho necessidade de ordem. Assim, todas as vezes que você deixa a toalha em cima da cama, eu sinto muita raiva.’ Deste modo, você comunica o que sente sem julgar ou criticar o outro e deixa claro sua necessidade.

Talvez, você reprima tanto seus sentimentos que pareça muito difícil fazer isto. Recomendo que você comece desabafando o que sente através da escrita. Escreva o que sente, tente perceber as necessidades não atendidas que estes sentimentos apontam. Se precisar de conversar com alguém, existe um trabalho incrível que oferece apoio emocional, onde o desabafo é permitido e acolhido sem julgamentos. É o CVV que atende todo o Brasil pela internet e por telefone. Confira todos os canais de atendimento gratuitos por aqui: www.cvv.org.br.

Aos poucos, você irá aprendendo a desabafar. Perceberá que algumas circunstâncias ainda pode ser necessário saber “engolir o choro”, como num ambiente profissional ou num momento em que todos estão muito exaltados, por exemplo. Mas não precisa “engolir o choro” para sempre, na verdade, seria apenas “adiar o choro” até encontrar alguém ou o melhor momento para conversar.

Às vezes, a repressão de sentimentos é pior em casa. É difícil comunicar o que sentimos para as pessoas que mais amamos. Talvez, porque em muitas vezes, expressamos críticas e agressões ao invés do que realmente sentimos e necessitamos. Caímos no jogo do quem tem razão (leia o post anterior). Será que as pessoas que amam você não sentem necessidade que você esteja realmente bem e satisfeito? Dê uma oportunidade a elas de conhecer suas reais necessidades e propor estratégias para satisfaze-las.

Você irá descobrir algo muito interessante, que as necessidades são sempre comuns a todos nós. Por isto, não é necessário justificar as necessidades. Mas perceberá que muitas vezes nos apegamos às estratégias, a um único jeito de satisfazer a necessidade. Estratégias existem aos milhares, e cada pessoa tem as suas. O pior é que é fácil confundir necessidade com estratégia e por isto, é comum brigas intermináveis para defender uma estratégia que não satisfaz a necessidade de ninguém.

Por exemplo, ter um relacionamento íntimo e harmonioso é uma necessidade, mas ter este relacionamento com o Ciclano ou o Beltrano são estratégias. Ter ordem em casa é uma necessidade, mas a estratégia para conseguir isto pode ser contratar uma faxineira, dividir tarefas, mudar para um apart hotel, concentrar a bagunça só no quarto do bangunceiro, rsss… Você poderia até me dizer que a sua necessidade é “matar aquela pessoa”. Mas se pensar bem, ninguém tem necessidade de matar ninguém. Isto é apenas uma estratégia, talvez para satisfazer a necessidade de se ver livre dos sentimentos ou das situações que se vivencia com aquela pessoa. Assim, enquanto a necessidade permanece, use sua criatividade para mudar e adaptar as estratégias.

Assim como Marshall Rosemberg, eu acredito que as necessidades de todos possam ser atendidas a partir de um diálogo sem críticas nem agressões, comunicando apenas os fatos sem julgamentos. Comunicando sentimentos que sinalizam as necessidades não atendidas e usando a criatividade para traçar estratégias que atendam a todos.

Continuamos no próximo post…

Comente o post, deixe sua opinião e suas dúvidas, será uma satisfação respondê-las.

Um carinhoso abraço

Lara Silva

 

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