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Muitas vezes nos deparamos com reações pessoais que nos causam estranheza. Em nós ou nos outros. São reações opostas às cotidianas.

Se houvesse (especialmente no Brasil, já que em outros países é comum) o interesse e o impulso para buscar na psicoterapia uma ferramenta de desenvolvimento pessoal, os sustos seriam menores e mais raros. Isto porque não somos uma unidade indivisível ou amorfa quando o assunto é sentimento. Todos os teóricos da Psicologia admitem que nosso cérebro rege nossas emoções através de processos fisiológicos, mas que existem estruturas de personalidade, não exatamente com uma localização cerebral específica, que influenciam toda a nossa existência.

São as estruturas de personalidade, nosso comportamento pessoal e coletivo que em muitos momentos fogem ao controle. No fundo, somos “diversos eus”. Certa vez, uma paciente me disse que via na palavra Deus (o ser maior) a definição do ser humano= Diversos Eus. É, se for para facilitar, podemos ver desta forma. Teríamos em nós todas as características de um Deus antropomórfico. Ele pode ser bom, amoroso, batalhador, mas também irascível diversas vezes.

Todos temos um lado “sombra”, para citar Jung. Aquele lado desconhecido de nosso cotidiano, que mantemos acorrentado lá no fundo de nosso baú de vida e que, em muitas situaçõe,s bota a manguinha de fora sem pedir licença. Não podemos negar sua existência, ao contrário! Ele existe e é necessário para que sejamos inteiros. Nos defende de imposições externas, nos impulsiona em momentos cruciais e é muito importante em nossa jornada de vida. O “Diversos Eus” pode ser uma forma didática de autodefinição, mas precisamos conhecer cada parte disso. A terapia é a melhor forma de buscarmos a nossa unidade, a roda que faz nossa vida girar sem encalhes, sem travas desnecessárias, sem medos.

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