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Possuir uma paixão harmônica pode ser benéfico para aumentar a sensação de bem-estar. Schellenber e Bailis analisaram se possuir duas paixões simultaneamente pode aumentar este nível de bem-estar e testaram se estas relações dependem da extensão em que as paixões são harmônicas ou obsessivas.

O estudo concluiu que possuir mais de uma paixão, independentemente do tempo que se dedica a cada uma delas, resulta na expressão de um maior bem-estar auto-referido em comparação a quem possui apenas uma paixão harmônica. Este estudo sugere que adicionar uma nova paixão pode, ao invés de gerar conflito ou dividir uma quantidade de bem-estar, criar a oportunidade para aumentá-la. Paixão no estudo acima foi identificada como uma atividade particularmente significativa que a pessoa gosta, valoriza e considera uma parte integral do seu auto-conceito.

O impacto da atividade apaixonante na felicidade está mais diretamente associada a paixões harmônicas em relação àquelas que podem ser consideradas obsessivas. De acordo com a conclusão do estudo, pessoas que tem paixão simultânea por correr e cozinhar, ou fotografar e colecionar selos, ou ler e assistir futebol, por exemplo, tem níveis autoreportados maiores de bem-estar do que aqueles com uma ou nenhuma paixão harmônica.

Segundo Vallerand, outro estudioso das paixões, esta pode ser definida como “uma forte inclinação em direção a uma atividade que a pessoa goste, que ela ache importante, e na qual ela invista tempo e energia”. Paixões harmônicas podem ser definidas como aquelas que se desenvolvem quando uma atividade é autonomamente internalizada à identidade de uma pessoa, permitindo a ela se tornar um importante componente da vida da pessoa sem se tornar gritantemente dominante.

Uma paixão obsessiva, por outro lado, é aquela qe foi integrada ao self de um indivíduo de forma mais condicionada, controlada. Nela, os indivíduos sentem-se pressionados por contingências internas ou externas para se engajar em uma atividade que toma um papel dominante na vida delas. Pode se originar de processos ego-investidos que podem levar alguém a se engajar na atividade de uma forma insegura e defensiva.

As paixões harmônicas estão associadas a um aumento auto-referido nos níveis de bem-estar, enquanto que as paixões obsessivas tem se mostrado neutras ou com efeitos negativos sobre o bem-estar e mesmo se correlacionar com sensações negativas durante a prática da própria atividade.

Leituras:

1. Can Passion be Polyamorous? The Impact of Having Multiple Passions on Subjective Well-Being and Momentary Emotions – Benjamin J. I. Schellenberg, Daniel S. Bailis

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